Atleta da parceria Praia Clube/Cemig/Exército/Futel é a jovem promessa das provas longas
Núbia subiu ao pódio pela segunda vez seguida na São Silvestre. Foto: Divulgação/CBAt
O bronze conquistado na maior prova da América Latina não foi apenas uma medalha no peito. Foi mais uma das premiações que coroa a carreira da jovem Núbia Oliveira, presente e futuro das provas de longa distância do Praia Clube e do Brasil.
Natural de Campo Formoso (BA), Núbia iniciou sua jornada no atletismo aos 14 anos, competindo nos jogos escolares. O começo foi marcado por obstáculos que testaram sua determinação: a escassez de recursos para viagens, a falta de materiais adequados e a rotina exaustiva de conciliar estudos, trabalho e treinamentos.
O que a impediu de desistir foi um sonho inabalável de se tornar uma grande atleta e o apoio fundamental de sua família. O divisor de águas veio em 2020, ao ser convocada pela primeira vez para representar o Brasil no Campeonato Pan-americano de Cross-country no Canadá. “Poder pegar minha primeira seleção me mostrou e me deu confiança que eu poderia competir de igual pra igual com as melhores atletas”, destaca Núbia. E foi isso que aconteceu.
O convite para integrar a parceria Praia Clube/Cemig/Exército/Futel chegou no final de 2024, através de Felipe Cacique, coordenador da modalidade. Ao vestir a camisa preta e amarela, Núbia encontrou o suporte necessário para sua evolução técnica, incluindo períodos estratégicos de treinamento. “Fiquei muito feliz em fazer parte de uma equipe tão grande, onde tenho total suporte para a minha evolução e para crescer ainda mais em busca dos meus objetivos“, destacou após chegar mais uma vez ao pódio da São Silvestre.
Com treinos em dois períodos, que unem a fluidez do pilates à força bruta das subidas de serra, Núbia buscou na altitude da Colômbia o fôlego necessário para dominar as distâncias e as adversidades. Para dominar as variações de altimetria que encontra nas provas, ela prefere o desafio dos terrenos de chão batido, as subidas íngremes de serras e a textura das pistas de pó de brita.
Essa disciplina encontrou sua coroação máxima no bronze da São Silvestre 2025, uma conquista definida por uma estratégia cirúrgica. Ao atingir o quilômetro 14, em plena subida da Brigadeiro Luiz Antônio, Núbia constatou que a quarta colocada já não estava em seu campo de visão, garantindo a segurança do pódio. Com bravura, ela ainda buscou a vice-liderança, diminuindo a distância para a segunda colocada e consolidando um terceiro lugar histórico que a fez sentir que vencer a São Silvestre é um sonho possível.
“O pódio da corrida de São Silvestre coroa um trabalho que vem sendo feito há anos. E ao cruzar a linha de chegada, foi muito emoção. Vejo o quanto valeu a pena todo o trabalho, toda disciplina, todo suor derramado em cada treino e, a partir daquele momento, pude ver que somos capazes de um dia vencer a São Silvestre.”
Com o bronze no peito pelo segundo ano consecutivo, Núbia já projeta um horizonte de novas conquistas para 2026. No cenário internacional, sua jornada recomeça em fevereiro com a estreia no Mundial Militar na Grécia, seguida pela representação do Brasil nos Jogos Pan-americanos e no Sul-americano. Em solo nacional, a meta é manter a soberania no Troféu Brasil, onde busca o tricampeonato nos 10.000m e o bicampeonato nos 5.000m.
Todo esse planejamento serve como combustível para o grande objetivo final: o ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028. “Estamos evoluindo a cada ano e isso nos dá confiança para dar continuidade ao trabalho, para buscar Los Angeles 2028.”
Assim, Núbia se firma como um símbolo de perseverança, uma jovem atleta que inspira outros ainda mais jovens da parceria Praia Clube/Cemig/Exército/Futel a acreditar que o topo do pódio é o destino de quem tem a coragem de persistir.
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